Magnus Roberto de Mello Pereira

Iniciou a sua vida acadêmica cursando Arquitetura e, depois, Design. As dificuldades próprias da época levaram a que abandonasse a Universidade e partisse para a África, onde se tornou professor, na República da Guiné-Bissau. Foi no continente africano que descobriu a sua inclinação pela História. Ao retornar ao Brasil, fez toda a sua formação acadêmica em História, na Universidade Federal do Paraná. Posteriormente, realizou estágios de pós-doutoramento nas Universidades de Coimbra e no Instituto de Investigação Científica Tropical, em Lisboa. Iniciou sua carreira profissional no Museu da Imagem e do Som, do Paraná. Na gestão do ministro Celso Furtado, no Ministério da Cultura, foi Coordenador Geral de Políticas Culturais e Secretário de Atividades Sócio-Culturais. De volta a Curitiba, passou a integrar o corpo de pesquisadores do IPARDES, onde coordenou o projeto História da Indústria no Paraná. Finalmente, entrou para a academia, ingressando nos quadros da Universidade Federal do Paraná, onde é professor adjunto. Sua atuação como pesquisador cobre Portugal e suas colônias, durante o Antigo Regime. Dentro deste grande recorte, especializou-se nos temas da cidade e da administração urbana e, mais recentemente, tem-se dedicado às viagens científicas realizadas por luso-brasileiros, no final do período colonial. É integrante e fundador do CEDOPE – Centro de Documentação e Pesquisa de História dos Domínios Portugueses. Foi agraciado com uma série de bolsas por parte da CAPES, do CNPq, da Fundação Araucária e da Fundação Carolina (Espanha), as quais lhe permitiram desenvolver uma intensa atividade de pesquisador em arquivos do Brasil, de Portugal, da África e mesmo de Goa, na Índia.

Projetos em Andamento

2010 – Atual: O poder dos livros, ou os papéis da escrita, posse e leitura da palavra impressa no interior do Antigo Regime Português

Descrição: Este trabalho busca compreender a importância dada à escrita e aos seus suportes no Antigo Regime português (em especial no século XVIII) em torno das abordagens da história da palavra impressa, cujo objetivo aqui é compreender como a circulação da palavra impressa transformou os modos de interação social, permitiu novas formas de pensar e modificou as relações de poder. Para isso, são considerados, primeiramente, a dupla definição da história da palavra impressa, que vai do texto produzido e seus significados às formas de apropriação desses significados pelos leitores. Em segundo lugar, os múltiplos aspectos da leitura, buscados a partir de experiências individualizadas de inserção no universo das ideias, que permitem que se produza, no campo da história cultural, conhecimento sobre como pessoas diversas no passado experimentaram livros e leitura. Ao mesmo tempo, dar conta das facetas desta produção de conhecimento permite compreender as formas de funcionamento de aspectos da sociedade portuguesa no passado a partir de pistas deixadas em um amplo campo documental, no qual diversos personagens deixaram evidências de sua inserção no universo da palavra impressa.
Financiador(es): Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

2003 – Atual: Os naturais do Brasil no quadro das Ciências Naturais da Ilustração Portuguesa

Descrição: O presente projeto tem por objetivo viabilizar a continuidade das pesquisas e do processo de localização, recolha e organização sistemática, para futura publicação, das obras e documentação conexa dos cientistas luso-brasileiros do final do século XVIII e início do século XIX, no qual estou envolvido há alguns anos. São duas gerações de intelectuais, a da década de 1770 e a de 1790, que participaram ativamente na tentativa de construção de um novo grande Império Português, em moldes a acolher esta elite colonial, e, depois, na constituição do Império Brasileiro independente. Apesar de todos reconhecerem a importância dessas gerações, o seu estudo acabou bastante obscurecido e só agora começa a tomar impulso. Eles foram suplantados por certas abordagens laudatórias vinculadas à história escolar-oficial, que transformou José Bonifácio em “Patriarca da Independência” e coisas semelhantes. Por outro lado, uma parcela desses acadêmicos seria satanizada, por certos vieses historiográficos, por representarem as conservadoras elites do período imperial. Quanto à sua atuação científica no último meio século do período colonial, ela ficou quase esquecida por uma notória preferência historiográfica pelos relatos dos estrangeiros que circularam pelo país no século XIX. Parte-se da constatação de que muito do sucesso historiográfico desses viajantes europeus é um fenômeno conjuntural que se deve à importante coleção editada em parceria pela Edusp e Editora Itatiaia, nos anos 1970. A difusão destas fontes tornou-as acessíveis a um grande número de pesquisadores e estudantes, induzindo a elaboração de centenas de monografias, dissertações e teses. Dar início a uma coleção semelhante, reunindo a produção textual dos luso-brasileiros que os precederam, é um objetivo simples, mas nada modesto, considerando o tamanho e a dispersão do acervo a ser compulsado e impacto que os resultados poderão vir a ter em nossa historiografia.
Financiador(es): Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico; Fundación Carolina España; Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná.

1998 – Atual: Formação da Sociedade Paranaense

Descrição: Projeto voltado à Investigação da formação da população paranaense (1648-1853), privilegiando o estudo da composição e dinâmica populacionais, das estruturas do aparato administrativo, em diferentes níveis e esferas, e de espaços de sociabilidades.
Financiador(es): Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.