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NOTA DOS DEPARTAMENTOS DE HISTÓRIA E DE ANTROPOLOGIA SOBRE A DEMISSÃO DA FUNCIONÁRIA TERCEIRIZADA MARILENE SOARES MIRANDA
21 setembro 2017

Os Departamentos de História e Antropologia de nossa universidade, exprimindo as opiniões das e dos professores a eles vinculados, vem por meio desta manifestar nosso estranhamento e nosso repúdio relativos à demissão da funcionária terceirizada Marilene Soares Miranda, que por longo tempo realizou a limpeza do sexto andar do Edifício Dom Pedro I, no Campus Reitoria. Marilene permaneceu conosco por praticamente três anos ininterruptos, destacando-se por sua assiduidade, sua preocupação em realizar um bom trabalho, bem como por seu temperamento ativo, amigo e extrovertido. Durante todo este período, acompanhamos suas condições precárias de trabalho, as quais não apenas a impediram na prática de gozar de férias (uma vez que as empresas responsáveis pela limpeza mudam a cada ano, embora mantenham na prática o mesmo corpo de funcionários), mas também a expuseram a situações delicadas em função do contato com produtos químicos e materiais de limpeza que prejudicaram sua saúde. Testemunhamos, em especial, os sérios problemas de saúde que ela teve em meados deste ano, quando precisou, devidamente amparada por atestado médico, ausentar-se por alguns dias. Por fim, através dela, acompanhamos as situações delicadas de trabalho de toda sua categoria, obrigada a trabalhar mesmo nos feriados e recessos previstos nas resoluções que definem o calendário universitário, bem como compelida a bater o ponto em condições particularmente precárias em termos de espaço e de tempo, sem qualquer flexibilidade, o que torna o desconto em folha a regra, e não a exceção.

A produção do conhecimento não é apenas atacada por grandes questões político-orçamentárias, sejam elas externas ou internas à Universidade. Entendemos que a limpeza dos locais da universidade é uma condição indispensável para tal produção. Deste modo, estranhamos que Marilene, uma funcionária exemplar, seja dispensada após tantos anos de trabalho dedicado. É lamentável que a atual Reitoria continue com práticas antigas, fechando os olhos para as condições de trabalho daqueles que prestam serviços para a Universidade. Uma forma de resistir aos ataques frontais que a regulamentação do mundo do trabalho vem sofrente, e que já está afetando toda a atividade universitária, é justamente não fecharmos os olhos aos efeitos nefastos que eles já têm em nossa vida. Esperamos que situações como a de Marilene não se repitam e declaramos ainda toda nossa solidariedade para com ela e para sua categoria profissional.

Atenciosamente,

Departamento de História e Antropologia