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O mito da Fênix[¹]
15 outubro 2011

 

Embora não seja possível localizar o momento exato do surgimento da Fênix, podemos verificar sua presença em diversas culturas, desde o século VIII antes de Cristo.

É difícil, inclusive, delimitar a palavra que deu origem ao nome da ave: a palavra grega phoinix, que significa “pássaro maravilhoso”; a palavra, também grega, phoinos que designa “cor púrpura”; ou ponike, de origem fenícia, que se refere a um pássaro solar venerado durante a civilização micênica. Ainda, poetas como Ovídio e Marcial consideram que a Fênix deve seu nome à Fenícia.

Desde o período que se estende entre os séculos VIII antes de Cristo e I depois de Cristo, a Fênix é retratada como uma ave que possui uma enorme longevidade e que está ligada a um tempo cíclico. Ela também é colocada ao lado de um animal de fogo, a salamandra, e sua concepção é dada sem relação sexual.

Dos restos da Fênix que morre, surge um verme que se transformará na nova Fênix.

Do século I ao século VII depois de Cristo, a Fênix se liga ao fogo, talvez sob a influência dos rituais funerais e das cerimônias de apoteose (elevação ao status de divindade) dos imperadores romanos. A fogueira torna-se ao mesmo tempo o local de sua morte e de sua ressurreição. A partir do século II a Fênix passa a ser interpretada numa perspectiva cristã e, quase sempre, os textos que lhe fazem referência são do gênero apocalíptico, do sermão ou da poesia.

São apresentadas, nesse período, três versões para o renascimento da ave: uma, a partir dos restos em decomposição da Fênix que morre; uma segunda sobre o renascimento a partir das cinzas; e outra, que mistura as duas outras versões, na qual um verme é o intermediário entre as cinzas e a nova ave.

Os textos alegóricos da Idade Média tratam a Fênix no sentido da ressurreição de Cristo: cada alma justa é uma fênix que deve passar pela prova de fogo para retornar ao paraíso. Além disso, a Fênix serve como elemento de unificação entre os contrários, como por exemplo, céu e terra, corpo e espírito; ela é uma criação Divina que antecede ao homem.

Mais recentemente, o mito da Fênix é associado ao mito de Hércules que se livra da fogueira do Eta e de sua imortalidade para ressurgir como um deus.

Em cada cultura nas quais foi possível encontrar traços de sua presença, a Fênix foi dotada de atributos diferentes e, mesmo assim, quase sempre ela esteve associada à cor púrpura e a um tempo cíclico, que nunca termina.

Além disso, o mito tem uma originalidade: a Fênix é dotada de qualidades positivas, não possui pecados, castigos, ou provas a serem vencidas, a não ser a sua própria ressurreição. É, sem dúvida, um mito que encanta, por todas as características louváveis e positivas, mas principalmente porque não lhe cabe um fim. Até a reinvenção do mito ao longo de toda a história representa, nele mesmo, o movimento infindável da morte/ressurreição da ave.

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[1].  Miguet, M. (2000). Fênix. In. Brunel, P. (org.). Dicionário de mitos literários. Rio de Janeiro: José Olympio. pp. 362-369.

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