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Nota de Repúdio do Fórum de Coordenadores de Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPR aos cortes no orçamento do Ministério da Educação com impacto na CAPES
13 agosto 2018

Nota de Repúdio do Fórum de Coordenadores de Programas de Pósgraduação Stricto Sensu da UFPR aos cortes no orçamento do Ministério da Educação com impacto na CAPES

 

O Fórum de Coordenadores de Pós-graduação da Universidade Federal do Paraná vem a público manifestar a sua profunda preocupação com os comunicados recentes sobre a redução de recursos do orçamento federal de 2019 para os programas do Ministério da Educação direcionados à produção de Ciência e Tecnologia no país.

Esta redução resultará em prejuízo direto às ações realizadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior/CAPES e, portanto,
aos projetos de pesquisa em andamento e a serem desenvolvidos em todas as Universidades Brasileiras. Considerando a realidade da UFPR, isso repercutirá nas
mais diversas áreas de pesquisa dos 84 (oitenta e quatro) Programas de Pós-graduação e nos programas de iniciação científica e de iniciação à docência. Não se faz pesquisa sem pesquisador.

Não se faz pesquisa sem meios, sem instrumentos, sem recursos e sem diálogo. Além disso, com as constantes ameaças
de redução orçamentária torna-se impossível realizar planejamento de médio e longo prazo, o que cria um ambiente instável que dificulta a proposição de novas ações e atividades no âmbito dos Programas.

Frise-se que essas decisões e o modo como vêm sendo administradas não repercutem somente sobre instituições de pesquisa e sobre pesquisadores, mas
sobretudo apontam para a perda de soberania, de desenvolvimento e de melhoria das condições de vida de toda a população. Os prejuízos também não são somente imediatos, mas se prolongam no tempo, uma vez que o conhecimento é intergeracional e, portanto, a redução de resultados no presente reverbera no futuro.

Tendo em vista a responsabilidade do governo com a gestão dessa política pública prioritária, a qual perpassa as mais diversas áreas de atuação do Estado, dirigimos o nosso repúdio às ações geradoras de instabilidade, de interrupção das produções em curso e, uma vez implementada a proposta do corte orçamentário, de abandono das perspectivas de protagonismo no desenvolvimento do país.

Nós, pesquisadores, seguimos em defesa da produção da ciência, da tecnologia e da garantia dos preceitos da nossa Carta Constitucional que prevê,
como objetivos da República, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária com garantia do desenvolvimento nacional. É responsabilidade do Estado
proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação. Com esse entendimento, registramos a necessidade de
revisão da proposta apresentada pelo Ministério do Planejamento e estendemos o nosso apoio aos esforços de toda a comunidade da educação e da pesquisa, e dos órgãos de fomento, pela manutenção dos recursos orçamentários para os próximos
anos.

Ciência não é gasto, é investimento!

Curitiba, 08 de agosto de 2018.

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