É com imensa satisfação que o Grupo de Pesquisa em Sociologia da Saúde – CNPq/UFPR apresenta um pouco da história do Grupo de Pesquisa e das Jornadas de Sociologia da Saúde que acontecem anualmente no âmbito da Universidade Federal do Paraná.

A Sociologia da Saúde é uma área do saber relevante, não só para o campo acadêmico, mas principalmente para aqueles que se dedicam ao exercício das práticas no campo da saúde e aos cuidados da população humana. Neste sentido, desde 2005, o Grupo de Pesquisa em Sociologia da Saúde (CNPq/UFPR), formado por professores, pesquisadores e alunos da Pós-Graduação de Sociologia da UFPR, vem desenvolvendo estudos relacionados aos diversos níveis de complexidade no atendimento à saúde e à doença, pelo SUS, contribuindo com a produção de conhecimentos para profissionais que atuam neste campo do saber.

A realização de Jornadas é de grande importância para o Programa de Pós-graduação em Sociologia, à medida que professores e alunos deste e de outras universidades estarão discutindo a visão sociológica e seus avanços para o campo da Medicina e da Saúde. A finalidade deste intercâmbio de conhecimentos também é de divulgar o conhecimento produzido, mas de integrá-los à produção realizada em outros Programas de Pós-Graduação.

 O trabalho realizado no âmbito do Programa de Pós-Graduação da UFPR, na área da Sociologia da Saúde, produziu 18 dissertações de Mestrado e, com a implantação do Doutorado em 2004, conta com 4 teses de Doutorado defendidas e 4 teses em andamento. O Grupo de pesquisa já contabiliza 3 livros publicados e mais 3 livros no prelo, com lançamento previsto para agosto, além de vários artigos em periódicos científicos.

O programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPR tem somado esforços conjuntamente com outros Programas de Pós-Graduação (UFBA, UFPE, UFRGS) para o desenvolvimento da Sociologia da Saúde como área de conhecimento.

Em 2007 o Grupo de Pesquisa em Sociologia da Saúde apresentou a I Jornada de Sociologia da Saúde sobre o tema “Subjetividade e Complexidade na Saúde e na Doença”, com a participação do Prof. Dr. Paulo César Borges Alves.

No ano de 2008, a II Jornada de Sociologia da Saúde discutiu os 20 anos de existência do SUS, contando com a presença da Profa. Dra. Soraya Maria Vargas Cortes da UFRS e da Profa. Dra. Maria Cecília de Souza Minayo da Fundação Oswaldo Cruz.

Em 2009, a III Jornada de Sociologia da Saúde discutiu a interdisciplinaridade no processo saúde-doença, com a participação do Prof. Dr. Gastão Wagner de Sousa Campos da UNICAMP que abordou a temática: “Saúde ampliada e compartilhada: interdisciplinaridade  possível e necessária” e da Profa. Dra. Madel Therezinha Luz da UERJ, responsável pelo tema “Paradigmas em Saúde e Racionalidades Médicas”.

Em 2010, a IV Jornada de Sociologia de Saúde discutiu o tema: Epidemias, Estado e Sociedade, com a participação da Profa. Dra. Anny Torres da UFMG que falou sobre “As repercussões sociais e as representações das epidemias tomando como ponto de inflexão a Gripe de 1918” e do Prof. Dr. Gilberto Hochmann da FIOCRUZ que abordou “O papel do estado (e as políticas públicas) nas epidemias”.

A V Jornada de Sociologia de Saúde realizada em 2011 teve como tema “Saúde, Cultura e Política” e contou com a presença da Profa. Dra. Sandra Caponi da UFSC que falou sobre “Biopolítica e a crítica ao humanismo moderno” e da Profa. Dra. Cynthia Sarti da UNIFESP que abordou o tema “Corpo e Violência: entre o Direito e a Saúde”.

A diversidade dos trabalhos apresentados, assim como as palestras e mesas redondas demonstram o crescimento e a importância dos debates que o Grupo de Pesquisa em Sociologia da Saúde tem se dedicado.

Neste ano de 2012, a VI Jornada de Sociologia da Saúde se propõe a discutir a formação e a prática em saúde na perspectiva das ciências sociais.

As discussões sobre a formação médica colocam a dificuldade apresentada pelas faculdades de medicina, por exemplo, em estabelecer a distinção entre a formação geral do médico e a formação do médico generalista. Como tem sido observada em estudos clássicos sobre a formação médica, a introdução do ensino de especialidades já na graduação, ou a fragmentação dos conteúdos didáticos, faz com que a discussão formativa, ou seja, aquelas disciplinas que tem a função de manter a linha mestra do curso, fique perdida em meio a uma discussão ideológica a respeito do profissional a ser formado, ou melhor, sobre o papel social deste profissional.

A introdução de disciplinas como sociologia e antropologia se fez desassociada das outras disciplinas curriculares e apresentam menor influência no ensino médico, pois a compreensão da causalidade social da doença, não implica negar a necessidade de curá-la.

Outro obstáculo enfrentado nas mudanças dos cursos em saúde é derivado da própria organização universitária, onde os departamentos têm práticas isoladas e com frequência, os departamentos ligados à formação generalista apresentam fraturas conceituais em relação aos demais departamentos especializados e à categoria médica de um modo geral.

 O indicado e o desejável em termos de qualificação profissional, que além da educação formal pressupõe uma prática de interação e troca de informações com colegas de profissão, obtenção constante de informações sobre fármacos e procedimentos em sua área de atuação, treinamento em novas técnicas de aplicação, além da necessária relação médico-paciente, encontra além das dificuldades estruturais inerentes à sociedade, como custo, tempo, disponibilidade de acesso a informações e coleguismo, alguns problemas que podem ser identificados desde a formação da graduação.

Então, se por um lado, a formação médica preconiza um ideário de atuação profissional do ponto de vista teórico, por outro, a prática cotidiana do estudante lhe coloca numa situação oposta. Além disso, não é possível esquecer a realidade da rede de saúde brasileira, que não oferece as condições necessárias para o atendimento adequado à população. Assim, a construção do profissional efetuada pelas escolas médicas e pelos hospitais-escola introduz no futuro profissional algumas barreiras ao relacionamento humano que acentuam elementos comumente vistos como arrogância e excesso de autoconfiança.

Assim, o estudante de medicina vive uma situação paradoxal. O ensino diz que o paciente deve ser acolhido e ter suas queixas investigadas, mas a realidade dos hospitais e postos de saúde leva a uma prática de minimizar e até dispensar pacientes que necessitem de atendimento, e essa tarefa cabe muitas vezes ao estudante de medicina que tem o papel de convencer o paciente que seu problema não é grave ou que ele deve procurar outro serviço de saúde.

Diante deste cenário, a VI Jornada de Sociologia da Saúde contará com a presença dos palestrantes prof. Dr. Octavio Andres Ramon Bonet (UFRJ) e prof. Dr. Ricardo Burg Ceccim (UFRGS) que trarão suas experiências e fomentarão a discussão sobre a formação e a prática na saúde.

Desejamos a todos um bom trabalho e que mais uma vez este evento possa ser um marco de uma visão crítica voltada para diferentes práticas na assistência à saúde, além de incentivo a realização de pesquisas nesta área.

 

Grupo de Pesquisa em Sociologia da Saúde UFPR/CNPq

2012