Nas últimas duas décadas o chamado pensamento pós-colonialista tem influenciado os estudos sobre o mundo antigo. Entre os diversos pontos discutidos por intelectuais engajados nessa forma de pensamento, dois chamam a atenção em particular: a necessidade de expandir o uso das fontes para o estudo do mundo antigo e a urgência de se repensar os conceitos empregados para o estudo do passado. No primeiro caso, estudiosos têm enfatizado a parcialidade das fontes escritas e defendido a contribuição da cultura material como evidência independente e capaz de produzir discursos próprios acerca do passado clássico. No segundo, a discussão recai sobre a importância de se repensar conceitos e modelos interpretativos, sobretudo aqueles cunhados ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX. O alinhamento com essas concepções se desdobra, nesse grupo, em duas linhas de pesquisa: Cultura Material e Gênero no Mundo Antigo e Identidade Nacional e Revisitação dos Clássicos. Do ponto de vista epistemológico, ambas as linhas se articulam em torno da idéia da Antiguidade como presença posterior determinante e reformulada pelas múltiplas visões e interesses do presente – muitas vezes percebidos por vieses de classe, raça e gênero, por exemplo – , que marcaram os estudos historiográficos a respeito do mundo antigo. As pesquisas levadas a termo pelo grupo visam analisar os usos do passado pela História e pela Arqueologia como forma de estabelecer compreensões em contextos modernos, propondo uma reflexão sobre o papel do passado nos jogos de estratégia e afirmações identitárias. A percepção da escrita da História do mundo antigo como fato histórico sujeito à temporalidade, leva a uma compreensão diferenciada da História e do historiador. Nessa perspectiva, o grupo visa explorar as tensões políticas inerentes a construção do conhecimento e contribuir com novas abordagens acerca do mundo antigo.

Grupo de pesquisa CNPq
Líderes: Glaydson José da Silva (Unifesp) e Renata Senna Garraffoni (UFPR).